• Editora Literal

A captação de recursos na Era Digital


Rafael Bandeira


Nunca estivemos tão conectados como nos últimos anos aqui no Brasil. Pesquisas revelam que quase 170 milhões de brasileiros usam a internet em sua rotina diária, correspondendo a mais de 70% dos brasileiros conectados na rede mundial de computadores.

Essa rotina influencia hábitos pessoais e coletivos, além de mudar completamente a forma como empresas e organizações se relacionam com seus respectivos públicos, incluindo, especificamente, aquelas cujo trabalho depende do apoio financeiro voluntário, como as organizações da sociedade civil, incluindo as igrejas.

A captação e mobilização de recursos, dentro de uma organização, constitui-se em uma das principais áreas de suporte no cumprimento da visão por elas promovidas diariamente em diversas partes do país. Trata-se de uma atividade que exige planejamento de médio e longo prazo quer para iniciativas de transformação social, de evangelismo regional, nacional ou até mesmo transcultural.

Dada a sua relevância, para melhor desenvolvimento deste trabalho, é necessário acompanhar tendências globais que, na maioria dos casos, ditará as normas como as pessoas se relacionam entre si, como comunicam suas necessidades e anseios e, por fim, como interpretam as necessidades um do outro.

As redes sociais, sem dúvida, contribuíram muito para uma universalização da comunicação, dando voz àqueles que, nas mídias mais tradicionais, teriam um pouco mais de dificuldade de acessá-las.

De acordo com o relatório Global Digital Statshot 2019, 46% da população mundial está presente nas redes sociais, somando mais de 3,5 bilhões de usuários. Só para termos uma ideia, isso corresponde a mais do que a soma das populações da China, Índia e Estados Unidos juntos.

Atualmente, as organizações que buscam o sucesso na mobilização de recursos não podem ignorar o uso das redes sociais como principal ferramenta de divulgação dos seus trabalhos e, principalmente, sensibilização de novos mantenedores das causas que apoiam.

É fato que Facebook, WhatsApp, Instagram, Twitter, YouTube e tantas outras plataformas digitais cativam horas das pessoas que anseiam por novidades, fotos e fatos da vida cotidiana de seus amigos, mas que também podem ser surpreendidos por excelentes campanhas, cujo objetivo é atrair parceiros e tornar sustentáveis suas práticas transformadoras, como o evangelismo e a implantação de igrejas.

Entretanto, não é de surpreender vermos, em alguns casos, uma desatenção a esses aspectos por parte de instituições que ainda relutam em ingressar na nova Era Digital. Certo dia, me surpreendi em um treinamento quando pessoas levantaram as mãos enquanto perguntava quais delas não tinham um website, ou ainda, uma página no Facebook.

Pode ser que essa situação delas não seja produzida de forma intencional, mas certamente estava impactando negativamente o trabalho realizado por toda sua equipe, afinal, não detinha mecanismos de fazer chegar à sociedade, todos os resultados produzidos pela organização.

Além da mobilização de novos apoiadores, as ferramentas digitais permitem realizar, de maneira simples e objetiva, a prestação de contas das ações realizadas por instituições que se propõem a produzir impacto na sociedade, aproximando, de maneira considerável, os mantenedores ao dia a dia da equipe.

Em outros tempos, utilizávamos materiais impressos que, em seguida, eram postados no correio e seguiam para o domicílio das pessoas constantes em nosso banco de dados. Isso ainda é utilizado hoje, mas duas perguntas devem ser feitas: qual o retorno financeiro diante desse investimento? Não seria melhor adotarmos estratégias mais eficientes na mobilização de recursos, valendo-nos de toda tecnologia que temos à disposição em nossos dias?

O segundo aspecto que quero abordar é quanto ao processamento das ofertas (ou doações) que nossas instituições colocam à disposição dos que desejam apoiar a nossa causa.

Suponhamos que você desenvolve um maravilhoso projeto de implantação de igrejas em comunidades isoladas no Brasil. Divulga estrategicamente esses trabalhos nas redes sociais mediante campanhas de qualidade, criativas e isso desperte um grande número de novos apoiadores para essa ousada iniciativa.

As pessoas estão tão sensibilizadas e seguras que desejam tornar-se mantenedores imediatamente após entrarem em contato com sua postagem. Procuram um link ou um botão para fazerem as contribuições, mas não acham.

Em tempos tecnológicos, precisamos estar prontos para responder ao ato benéfico e de amor dos nossos irmãos e irmãs. E precisamos fazer isso com presteza, afinal, a oportunidade não pode ser perdida, pois os desafios financeiros das nossas organizações são inúmeros.

O brasileiro, cada vez menos, tem usado o dinheiro em espécie para realizar suas transações financeiras. Dados da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) revelam um crescimento de 17% nas operações com cartões. Além disso, o próprio Banco Central demonstra queda na distribuição de cédulas e moedas.

A resposta para esse cenário está na adaptação e redesenho de processos organizacionais, permitindo adequação ao contexto tecnológico no qual a sociedade está envolvida, inclusive as igrejas e demais agências missionárias.

Sem o comprometimento dos princípios institucionais, é possível implementar formas ágeis de fazer com que, principalmente, novos e recorrentes recursos financeiros venham a compor a receita operacional das instituições. Um deles é a utilização de plataformas de pagamento on-line como, por exemplo, Pagseguro, Paypal, Moip, dentre tantos outros chamados gateways de pagamento.

Eles estarão disponíveis 24 horas por dia, 7 dias por semana, em processos simples e automatizados, a um clique do potencial apoiador financeiro, obviamente ao custo de um percentual sobre o valor captado.

Sem falar nas máquinas de cartões que, hoje em dia, estão invadindo estabelecimentos comerciais de pequeno, médio ou grande porte em todo o país. Do cafezinho na padaria ao cabeleireiro, temos disponíveis várias opções de operadoras e máquinas, tudo isso ao alcance de instituições que desejam potencializar suas ações de mobilização de recursos em tempos de modernidade.

Sim, você está na era digital que produziu mudanças significativas e permanentes em nossa vida. Cabe a você e à sua instituição decidir como irão conduzir as novas realidades no âmbito da missão que lhes foram confiados. Algo, contudo, é muito certo: essas mudanças não irão parar. ▣


Rafael Bandeira é administrador, especialista em gestão de projetos sociais e mestrando em políticas públicas. Trabalha como professor e consultor em captação de recursos para organizações cristãs no Brasil.


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