• Editora Literal

Eis que tudo se fez novo!

Atualizado: 25 de Mar de 2020


Maurício Soares


O ano de 2017 certamente marcará a história do mercado da música, não só no Brasil, mas no mundo inteiro, sendo o período oficial de transição do formato de consumo. Saímos do formato físico para o mundo digital. Palavras e expressões novas passam a ser incorporadas neste ambiente, como streaming, aplicativos, views, plataformas, marketing digital, entre outras. O que podemos observar é que a indústria da música, que por anos viveu sucessivas quedas de consumo e faturamento, em grande parte devido à pirataria e ao aumento de opções de entretenimento, especialmente nos três últimos anos, vivencia crescimento e resultados extremamente favoráveis.

No Brasil, estima-se que 2017 irá fechar com um crescimento superior a 20% de faturamento, algo absurdo se levarmos em consideração a instabilidade política, social e econômica que o país vive nos últimos tempos. Especificamente no mercado de música gospel, observamos que os bons ventos também sopram e trazem resultados animadores, mesmo ciente de que as transformações de consumo tendem a ser tradicionalmente mais lentas no meio religioso tupiniquim. A verdade é que estamos vivendo uma fase de grandes transformações, grandes mudanças, de crescimento de novos players, novos artistas e uma nova leva de consumidores, em sua maioria jovens de 12 a 24 anos, especialmente concentrados nas grandes regiões metropolitanas do país, dos mais diversos matizes e denominações evangélicas. As palavras de ordem no momento da música digital são DIVERSIDADE, ALCANCE e DEMOCRACIA.

No tocante à DIVERSIDADE, o mundo digital trouxe uma maior abertura aos estilos, propostas musicais e até mesmo artistas. Se antes a música gospel resumia-se ao tradicional pentecostal (algo que só existe por aqui, uma espécie de jabuticaba musical, reunindo sertanejo, forró e muita orquestração), ao louvor congregacional e algum som mais pop, hoje em dia há espaço para diferentes ritmos e estilos musicais. A música eletrônica cada vez assume mais lugar de destaque no gosto do consumidor de música, assim como a MPB, o folk, hip hop e o bom e velho pop rock, isso sem deixar de mencionar o cada vez mais presente sertanejo. Hoje, com o advento da música digital, os diferentes grupos de consumidores que até viviam alijados do mainstream passaram a ter espaço, atenção e principalmente voz.

O ALCANCE também é algo sensível. Se antes o CD demorava dias, semanas e até mesmo meses para alcançar os mais longínquos rincões do país, hoje em dia, em fração de segundos, a música está disponível em todos os aplicativos de streaming ao redor do planeta. Isso é fantástico! Além disso, o consumo de música gospel extrapola o próprio nicho, pois se antigamente seria muito improvável um ‘não evangélico’ se dirigir até uma loja especializada para comprar um disco de um artista gospel por causa de uma única música, neste momento, evangélicos, católicos ou simplesmente simpatizantes podem inserir canções de conteúdo gospel em suas playlists e consumi-las sem qualquer restrição. Ou seja, a música se tornou planetária e sem um público direcionado.

E dentro desse conceito de DIVERSIDADE e ALCANCE, automaticamente inserimos a ideia de DEMOCRATIZAÇÃO, pois o mundo digital trouxe em si uma maior possibilidade de artistas surgirem no cenário nacional. Seguindo a ideia de comparar o antes e o hoje, basta relembrarmos que até uns dez anos atrás, por exemplo, a música gospel tupiniquim era representada por dez, no máximo quinze artistas de alcance nacional. Com o advento do digital, vários jovens artistas e de diferentes regiões do país surgiram e assumiram lugar de destaque. Para exemplificar este fato, nomes como Isadora Pompeo, jovem adolescente que surgiu no interior do Rio Grande do Sul e tornou-se uma importante artista no cenário nacional, ou ainda artistas com poucos anos de estrada, como Priscilla Alcântara, Marcela Taís, Os Arrais, Ministério Zoe, DJ PV, Preto no Branco e tantos outros ‘novatos’ que em pouco tempo ultrapassaram em resultados artistas com décadas de estrada na música gospel.

O momento é de recomeços, de mudanças, de novos objetivos, novas metas, novas referências, e que bom por estarmos vivendo esta fase!


Mauricio Soares é jornalista, publicitário, diretor A&R na Sony Music, editor do blog Observatório Cristão, palestrante, consultor de marketing e membro da Igreja Lagoinha em Niterói/RJ. É casado com Renata e pai dos tricolores Fernando, Leonardo e Benjamim.

#Bíblia #Textossagrados #Religião #Justiça #Ideologiadegênero #Escrituras #Família #Ética #Coaching #Intercessão

3 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo