• Editora Literal

Homem e mulher – diferentes e iguais!


Lourenço Stelio Rega


A vida é melhor compreendida a partir da narrativa da criação, ali temos os ideais fundantes do mundo, mas também da natureza humana. Assim, começamos com Gênesis 1.27: “Criou Deus, pois o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”. Embora em português temos duas vezes a palavra “homem”, a primeira se refere à natureza humana (adam) e a segunda ao homem macho (zacar). Então podemos traduzir: “Criou Deus, pois o ser humano à sua imagem ... macho e fêmea os criou”. Temos aqui um paralelismo hebraico que repete a ideia com o objetivo de enfatizá-la “Criou à sua imagem ... à sua imagem os criou...”

Além disso, este texto revela que há equívoco na interpretação de que Deus criou o homem-macho à sua imagem e a mulher segundo a imagem do homem. O que temos é que os dois – masculino e feminino – à sua imagem, portanto, na origem da criação e antes da queda homem e mulher são criados para serem iguais, embora de natureza funcional diferentes. Dentro do programa de ação para suas vidas, Deus deu tanto ao homem macho, quanto à mulher, a tarefa de gerir a obra da criação (Gn 1.28), não foi apenas ao macho, mas aos dois.

Na terceira parte da narrativa da criação aprendemos ainda mais sobre o fato de que eles eram iguais diante da imagem de Deus, eram também de natureza funcional diferente. Gênesis 2.18 que diz “...não é bom que o homem (adam, no hebraico) viva só; far-lhe-ei uma auxiliadora (ezer) que lhe seja idônea (kenegdo)”. Novamente aqui a palavra hebraica “homem” se refere à natureza ou raça humana (adam) e a palavra hebraica que traduzimos por “auxiliadora” (que, no português, dá a ideia de hierarquia) é “ezer” que significa ajuda, socorro e também é utilizada para descrever Deus como nosso socorro (veja Salmos 20.2; 121.1,2; 124.8), não tendo conotação hierárquica. Mais ainda, pois a palavra hebraica “kenegdo” (traduzida como “idônea”) significa estar diante de, dando a ideia de que a mulher foi colocada diante do homem (adam), não abaixo, nem ao lado do macho.

Temos assim, na criação, antes da queda, uma relação funcional colaborativa entre macho e fêmea, em que um completaria o outro, isto é, tomariam decisões sobre a vida em conjunto, num ambiente de diálogo face-a-face. O senso da hierarquia e subjugação viria depois com a queda (Gn 3.16) como um desvio do plano original de Deus. Assim, as diferenças entre homem e mulher, tais como emocionais, mentais, de percepção da realidade e até físicas vem trazer o que faltava para a humanidade estar completa.

Resumindo, na narrativa da criação temos a humanidade como composta de macho e fêmea, portanto, heterossexual. Tanto o homem, quanto a mulher possuíam a imagem de Deus, foram criados para viverem e decidirem colegiadamente, para gerenciarem juntos a natureza e os fenômenos da natureza. Com aqueda inicia um processo de ruptura com o plano original de Deus e o domínio do homem sobre a mulher se instala. Cabe-nos discutir depois disso se com o Evangelho houve ou não a restauração também desta relação. ▣


Lourenço Stelio Rega é teólogo, eticista, escritor e diretor da Faculdade Teológica Batista de São Paulo.

#Bíblia #Textossagrados #Religião #Justiça #Ideologiadegênero #Escrituras #Família #Ética #Coaching #Intercessão #IgrejanaEraDigital #Digital #Igreja #literatura

1 visualização0 comentário

Posts recentes

Ver tudo