• Editora Literal

Mídias sociais na igreja


Elis Amâncio


Como profissional de comunicação cristã, tenho alguns olhares quanto ao avanço da igreja na esfera digital: institucional, do cristão individualmente e o da mensagem em si.

Institucionalmente falando, ainda nos anos 1990 algumas igrejas se despontaram na criação de sites com informações básicas como dia e horários dos cultos, endereço e telefone da igreja. Por incrível que pareça, essas continuam sendo as informações mais buscadas até hoje, agora não apenas no site, mas, também no Google e nas Redes Sociais. Poucas igrejas se preocuparam com isso. A Internet parecia ser uma modinha que iria passar. Entretanto, para os mais visionários, estava claro de que ela chegara para ficar. E mais, consolidar seu lugar.

Nos anos 2000, vimos o grande avanço do digital, a transição dos CDs, do VHS para DVDs e desses para o digital. Igrejas e ministérios começaram a fazer transmissões de cultos ao vivo. Ainda um serviço oneroso para a maioria. Entretanto, o uso de e-mails, MSN (comunicador de mensagem instantânea), Skype, entre outros, na esfera corporativa e a chegada da rede social Orkut popularizou ainda mais o uso da internet no Brasil.

Muitas igrejas nesta ocasião despontaram disponibilizando devocionais, vídeos de pregações (seja por serviço de streaming de vídeo ou YouTube), blogs, notícias e a evolução dos boletins impressos para os sites que foram tomando forma. A chegada dos smartphones na 2ª metade da década facilitou ainda mais o acesso à web, que se tornou um ponto de interrogação: Internet - bênção ou maldição. Não tenho ideia de quantas vezes ouvi e vi pessoas falando sobre este dilema.

“Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus e que foram chamados segundo o seu propósito” (Rm 8.28). No entendimento de que o Senhor estava fazendo algo novo em nossa geração, como jornalista, comecei a servir minha igreja local colocando a mensagem das pregações dos cultos de jovens que participava no formato de texto em um blog. A repercussão dele foi impressionante e, rapidamente, o blog começou a ter acesso de muitos países! Lembro-me que cerca de 7 ou 8 deles eram países onde a Igreja é perseguida. Aquilo tocou intensamente meu coração. Havia pessoas distantes e sedentas por ler a mensagem de Deus, mesmo que isso lhes custasse a própria vida.

De 2007 para cá, venho trabalhando em comunicação no contexto cristão. Apesar de ter atuado em diversos segmentos diferentes, entendi que meu chamado seria despertar a IGREJA para a importância do uso consciente e eficiente do meio digital nos dias de hoje. Estamos em novos tempos, a comunicação é cada vez mais rápida. A burocracia de se produzir um boletim ganhou a agilidade de transmissões ao vivo dos cultos, conferências, redes sociais, podcasts. Calma, vou explicar melhor.

Ainda hoje, encontro muitas igrejas focadas na comunicação institucional, aquela que apresenta a profissão (declaração) de fé daquela igreja local, a agenda/programação, dias e horários dos cultos, endereço e telefone. Algumas vezes, publicam um devocional a cada três meses, mas não há uma preocupação.


Qual o cenário atual?

Quando vemos relatórios sobre as redes sociais mais acessadas no Brasil e no mundo, muita gente pensa que não é importante, “são apenas dados”. Entender o contexto é essencial e estratégico para se posicionar quanto ao uso do meio digital, entender onde as pessoas com as quais se pretende falar estão e em qual rede você não precisa perder tempo produzindo conteúdo para ela. Além disso, compreender as características de cada canal, porque elas foram criadas, quais os tipos de postagens são mais eficientes nela faz parte de um bom planejamento. Afinal, as redes não são todas iguais.

Os dados do quadro acima nos mostram onde o brasileiro tem gasto “energia” on-line quando o assunto são Redes Sociais. Se uma igreja, ministério, ou se você individualmente pensa em se posicionar no ambiente digital como cristão, essas redes são importantes para o seu radar. Claro, considerando seus objetivos, seu público-alvo (faixa etária, localização, etc.), tipos de conteúdos produzidos, entre outros pontos.

Já na esfera mundial, de acordo com relatório do We Are Social/Hootsuite divulgado em fevereiro (2020), no mundo já são:

  • 7,75 milhões de pessoas no mundo, sendo que 67% da população mundial tem acesso à Internet

  • 211,8 milhões de pessoas no Brasil, sendo que 71% da população tem acesso à Internet

  • 140 milhões de brasileiros usam as redes sociais.

  • 9h17 é o tempo que o brasileiro fica on-line todos os dias.

  • 3h31 nas redes sociais.

  • 3h51 vendo TV.

  • 1h41 ouvindo música Spotify/Deezer, etc.

  • 1h14 em Games.

Os dados são importantes norteadores de qualquer trabalho de comunicação na internet. Vão ajudar você na construção de um bom plano de ações, a pensar como apresentar sua instituição, seu trabalho, seu chamado para este ambiente. As igrejas e ministérios estão cada vez mais on-line. Será que não é o momento de utilizarmos esse ambiente com total consciência e eficiência? Acredito que a igreja tem dois grandes desafios: ser relevante com seus conteúdos e anunciar claramente o Evangelho. Espero que consigamos chegar neste nível. ▣


Elis Amâncio é jornalista, especialista em digital, head de Marketing da Hitbel. Trabalha desde 2007 em comunicação no meio cristão. É autora dos livros: Mídias Sociais na Igreja e Comunicando o Reino.


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