• Editora Literal

O que deus espera dos homens (e as mulheres também)


Sergio Leoto


Existe atualmente uma forte discussão, quanto à ausência e/ou irresponsabilidade masculina, no que se refere à participação destes, na vida familiar. Alguns dos efeitos são bem conhecidos:

  • Homens desiludidos por fracassos, tornam-se alcoólatras, causando prejuízos na vida profissional e passam a “descontar” frustrações nos filhos e esposas - a convivência torna-se um inferno;

  • Por não encontrarem recolocação de trabalho, homens depressivos desistem de procurar emprego e ficam “encostados” em casa, dependendo de familiares;

  • A infidelidade masculina no casamento, tratada como “aventura aceitável” e até “inevitável”, produz um incentivo desta atitude em novas gerações;

  • Homens jovens e adolescentes, copiam maus exemplos de seus pais e os efeitos se estendem para uma vida irresponsável, formando uma geração que “não quer crescer”, não quer compromisso, muitas vezes entrando em drogas, depravação e delinquência;

  • Esposas, cansadas de serem traídas e desprezadas, assumem responsabilidades que normalmente seriam de seus maridos, ficando sobrecarregadas ao “trabalharem por dois” – invariavelmente recorrem ao divórcio;

  • Os filhos do divórcio, convivem com uma “brutal” ausência ou negligência paterna, em sua formação pessoal e de caráter – ou quando esta presença existe, muitas vezes repetem erros dos pais biológicos.

A desilusão com o “masculino” e a necessidade de superação feminina, abriu espaços para, no inconsciente coletivo, apresentar-se uma “fórmula imaginária”: “Homem é menos; Mulher é mais”. Claro que não concordamos com isto: homens e mulheres têm sempre pontos positivos e negativos. Mas com tantas evidências contrárias à responsabilidade masculina, entende-se porque a “ideologia de gênero” arrebanhou tantos adeptos.

A “bagunça” dos nossos dias

Através dos tempos, os homens foram adquirindo grandes sonhos e expectativas muito altas sobre si mesmos. Eles sempre tiveram desejos de: poder, sucesso e sedução. Nem sempre conseguiram o que pretendiam: o desejo de poder, gerou muitos inimigos e guerras em seu processo; o sucesso conseguido em algumas esferas, não evitou fracassos em outras áreas da vida, como na família; o desejo de sedução, que inicialmente parece “tudo de bom”, trouxe consequências nos relacionamentos conjugais. Não é nada bom, ser sedutor com a “mulher alheia”.

Você pode estar pensando: “Que bagunça, estamos!” – e você está certo! Costumamos usar a palavra “bagunça”, quando as coisas estão “fora do lugar”. E o homem tem em muitos momentos, sentindo-se no lugar errado! Certamente o Criador do ser humano, não quis que ele ficasse nesta situação!

Nem sempre acontece conosco o que Deus espera. A culpa não é dEle, mas sim das escolhas que fazemos! Não frustramos somente ao Senhor, mas também ao que as mulheres esperam de nós! Ficará mais fácil acertarmos, se conhecermos o que a Bíblia aponta como correto, tanto para a família, quanto para as responsabilidades que o Senhor planejou para o casal. A vida fica muito melhor, quando buscamos fazer o que Deus espera de nós!

O que Deus quer dos homens

Deus de forma didática, dá orientações aos homens solteiros (aqueles que ainda estão debaixo da autoridade de seus pais) e aos homens casados, que saíram da casa paterna e tem uma nova aliança com sua esposa, formando a própria família: “Deixará o homem seu pai e sua mãe....” (Ef 5.31)

Os homens SOLTEIROS em relação aos seus pais, devem ser respeitadores (considerar, estimar, honrar). “Honra teu pai e tua mãe, a fim de que tenhas vida longa na terra que o Senhor, o teu Deus te dá” (Ex 20.12) . Devem ser obedientes (submeter-se, ceder, acatar). “Filhos, obedeçam a seus pais em tudo, pois isso agrada ao Senhor” (Cl 3.20). E devem cuidar deles (responsabilizar-se, tratar, preocupar). “Mas se uma viúva tem filhos ou netos, que estes aprendam primeiramente a colocar a sua religião em prática, cuidando de sua própria família e retribuindo o bem recebido de seus pais e avós, pois isso agrada a Deus” (1Tm 5.4).

Tradicionalmente, tem se tem falado sobre a função do homem CASADO. Alguns avaliam sua importância, como aquele que tenta suprir o sustento da casa (provedor); outros falam da sua função, como líder espiritual (sacerdote); ainda outros, mencionam sua responsabilidade em defender seu lar, de possíveis ataques (protetor). Todas estas atribuições são válidas e necessárias. Mas será que em nosso contexto atual, apenas estas qualidades de um marido, contemplam o que uma família precisa?

Percebo 3 grandes áreas que a Bíblia deixa bem claro, serem funções dos homens CASADOS, em relação às suas famílias - eles devem: AMAR – LIDERAR – ENSINAR.

1) AMAR: O apóstolo Paulo diz em Efésios que o homem fiel a Cristo tem um alto padrão para amar sua esposa: o amor que Jesus tem pela Igreja. Amor disposto a morrer pela pessoa amada – amor que exalta e trata seu cônjuge em santidade (Ef 5.25-28,31). Mas como os maridos podem demonstrar este amor, na prática?

  • Afeto e Admiração: demonstrar seu afeto por meio de palavras, carinho, abraços, beijos, gentilezas e presentes. Expressar admiração de forma clara, contínua e com respeito, valorizando-a, evitando críticas frequentes.

  • Diálogo e Compromisso: conversar sobre acontecimentos do dia, sentimentos e planos. Estabelecer uma conversa equilibrada, dar atenção exclusiva ao se comunicarem. Manifestar compromisso com a família investindo tempo, dedicando-se à educação dos filhos e causando um impacto positivo em suas vidas.

  • Honestidade e Franqueza: revelar seus sentimentos positivos e negativos, preocupações, agenda, planos para o futuro, responder às perguntas abertamente quando questionado, não deixar uma ideia falsa ou incompleta a respeito de um assunto.

  • Segurança e Companheirismo: lutar pelo equilíbrio dos recursos financeiros básicos para a família. Evitar ausências frequentes, por motivo de viagem ou longas horas de trabalho, que possam prejudicar o relacionamento familiar. Ter interesse em promover atividades de lazer, em conjunto com a família. Viver com eles, momentos de descontração e bom humor.

2) LIDERAR: a casa sem liderança é um perigo! Onde “todo mundo manda”, ninguém se entende e pouca gente tem razão! A passagem de Efésios 5.21-23, deixa claro que não deve haver briga por liderança. Todos devem sujeitar-se uns aos outros, por temerem a Cristo, que é o cabeça. Neste tipo de ação, todos podem falar, todos discutem, todos avaliam os problemas. Entretanto, se houver um impasse, a palavra final virá do marido. Caso sua decisão, logo à frente, mostrar-se “errada ou falha” (apesar de todo esforço para acertar), a família aprenderá com o que aconteceu - tentarão uma escolha melhor no futuro. O importante é o marido demonstrar segurança à família.

3) ENSINAR: A Bíblia informa que é dos pais a obrigação de discipular seus filhos no caminho do Senhor: “Que todas estas palavras que hoje lhe ordeno estejam em seu coração. Ensine-as com persistência a seus filhos. Converse sobre elas quando estiver sentado em casa, quando estiver andando pelo caminho, quando se deitar e quando se levantar. Amarre-as como um sinal nos braços e prenda-as na testa. Escreva-as nos batentes das portas de sua casa e em seus portões” (Dt 6.6-9). “O que ouvimos e aprendemos, o que os nossos pais nos contaram, não o encobriremos a seus filhos; contaremos à geração vindoura os louvores do SENHOR, e o seu poder e as maravilhas que fez” (Sl 78.3-4).

Parte do trabalho de ensinar, refere-se a instruir os filhos com valores positivos como: bondade, equilíbrio, sabedoria, coragem, respeito, honra, fidelidade, falar a verdade, honestidade, tratar educadamente as pessoas, ter esperança, etc. “Instrua a criança segundo os objetivos que você tem para ela e mesmo com o passar dos anos não se desviará deles” (Pv 22.6).

Dentro do princípio de instruir o que é certo, está também o disciplinar em amor. Não se refere a “ferir ou espancar”, mas sim corrigir atitudes e livrar seu filho de caminhos errados. “Pois o Senhor disciplina a quem ama, assim como o pai faz ao filho de quem deseja o bem”. Pv 12:1: “Todo o que ama a disciplina, ama o conhecimento, mas aquele que odeia a repreensão é tolo”. Pv 15:5: “O insensato faz pouco caso da disciplina de seu pai, mas quem acolhe a repreensão revela prudência” (Pv 3.12). “Discipline seu filho, e este lhe dará paz; trará grande prazer à sua alma” (Pv 29.17).

Relembrando: Solteiros devem respeitar, obedecer e cuidar bem de seus pais. Casados devem amar de forma prática e ativa, liderar ouvindo outras opiniões e ensinar valores positivos, sem medo de disciplinar equilibradamente.

Finalizando, podemos dizer que quando os homens fazem o que Deus espera deles, várias coisas acontecem: - filhos passam a ter uma referência masculina positiva; - filhos tornam-se bem educados e a tendência é aplicarem isso em seu dia a dia; - as mulheres adoram homens sensíveis e responsáveis – é enorme a possibilidade de se apaixonarem mais ainda por eles; - homens sábios, que agem de forma equilibrada – organizam melhor os momentos de “caos” familiar, comuns a todos os seres humanos. ▣


PR. SERGIO LEOTO e sua esposa Psi. Magali Leoto, pertencem ao Ministério Fortalecendo a Família. Têm mais de 30 anos de experiência em aconselhamento familiar. Realizam palestras em Igrejas e Entidades. Contato: smleoto@uol.com.br.

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