• Editora Literal

O segredo da intercessão

Atualizado: 25 de Mar de 2020


Dora Bomilcar


Sou uma mulher aposentada, mas durante vinte e cinco anos trabalhei numa escola, que era meu campo missionário. Naquela época, eu tinha duas ideias fixas em minha mente: orar e evangelizar meus alunos e colegas. Eu não era necessariamente considerada bem sucedida. Muitas vezes não tinha uma vitória significativa. Precisei receber um novo toque de Deus e descobrir a intercessão.

Intercessão é a oração em favor das necessidades alheias em vez das minhas.

Um ministério sacerdotal e um mediador de alguém que fica entre o céu e uma necessidade terrena e clama ao Pai por ajuda.

Comecei no meu campo de trabalho a aproveitar ao máximo cada oportunidade, porque, afinal, os dias são maus (Ef 5.16), e comecei a suplicar em favor dos outros. Uma das formas mais profundas de amar uma pessoa é orar por ela.


Interceder compreendendo a necessidade

Orar pelos perdidos é uma área sobre a qual muito se fala, mas pouco se conhece ou se entende.

É como tentar abrir um cofre trancado sem conhecer a combinação; não importa quão valioso seja o conteúdo, nós acabaremos frustrados e desistiremos.


Jesus fazia apenas o que via o Pai fazer (Jo 5.19). Da mesma forma devemos fazer apenas o que vemos o Senhor fazer. E o que ele está fazendo? Jesus vive sempre para interceder por nós (Hb 7.25). Cometemos um grave erro ao rotularmos alguns cristãos como intercessores pois isso tende a sugerir que o restante de nós está livre da responsabilidade – não está! Todos devemos fazer o que vemos nosso Senhor fazer: orar uns pelos outros.

Quem é um intercessor?

Deus busca intercessores, mas raramente encontra, e isso fica claro em sua exclamação de dor, por intermédio de Isaías: “Viu que não havia ajudador algum e maravilhou-se de que não houvesse um intercessor” (Is 59.16). Vemos o mesmo em seu protesto de desapontamento por meio de Ezequiel: “Busquei entre eles um homem que tapasse o muro e se colocasse na brecha perante mim, a favor desta terra.... mas a ninguém achei” (22.30).

A identificação do intercessor com aqueles pelos quais ele intercede é vista perfeitamente no Salvador. Sabemos que ele derramou a sua alma até a morte. Ele carregou os pecados de todos nós e intercedeu pelos transgressores. Como Intercessor Divino, que intercedia por um mundo perdido, ele sorveu o cálice da nossa condição perdida até a última gota.

Há outro intercessor, e nele vemos a agonia desse ministério, pois ele, o Espírito Santo, intercede por nós sobremaneira com gemidos inexprimíveis. Esse intercessor é o único presente na Terra.

Observe também o apóstolo Paulo. Seu corpo por muito tempo foi sacrifício vivo para que os gentios pudessem ter o evangelho. Este é um exemplo de um intercessor em ação. Quando o Espírito Santo realmente vive sua vida num vaso escolhido, não há limites para os extremos aos quais ele o leva, em sua paixão por advertir e por salvar os perdidos. Isaías teve que andar três anos “despido e descalço” como uma advertência a Israel. Oseias teve que casar com uma prostituta para mostrar ao povo que o Esposo celestial estava disposto a aceitar de volta sua esposa adúltera. Jeremias não teve a permissão para se casar como uma advertência a Israel contra os terrores e a tragédia do cativeiro.

Ezequiel não pôde verter uma lágrima sequer pela morte de sua esposa, e assim esta lista poderia continuar. Cada instrumento de Deus que foi usado de modo grandioso foi de alguma forma um intercessor.

A intercessão é mais do que o Espírito partilhando seus gemidos conosco e vivendo sua vida de sacrifício pelo mundo por nosso intermédio. É o Espírito alcançando o fim de graça abundante. A intercessão não cobre pecado. O único que cobre pecados do mundo inteiro é Jesus, o Filho de Deus.


A falta de intercessão no corpo de Cristo é parecida com a lepra. Paul Brand (médico inglês que dedicou sua vida ao combate contra a lepra) explicou que quando uma pessoa está com essa doença, seus nervos param de funcionar adequadamente e deixam de enviar sinais de dor para o cérebro. Nesse estágio, os leprosos começam a perder os dedos das mãos e dos pés em acidentes, porque não sentem dor quando se machucam.

Fazendo uma analogia espiritual, quando a igreja não sente dor por causa dos membros do corpo que estão sofrendo, há indícios da presença da lepra espiritual. Os nervos da igreja estão mortos. O que acontece em seguida é que a igreja começa a perder seus membros.


É crucial que sintamos a dor dos membros que estão sofrendo no corpo.


A intercessão é uma resposta à dor. Choramos porque estamos sentindo dor. Os choros de intercessão são dores veementes de cristãos suplicando a Deus em favor dos outros.

Você chora pelos outros? Você sente dor por aqueles que estão sofrendo? Que tal começar hoje a agir adequadamente intercedendo pelos amigos, vizinhos, colegas de trabalho e pelo corpo de Cristo?



Dora Bomilcar é formada em teologia e pedagogia, apresenta o programa “Entre Amigas” na Rádio Transmundial - RTM e coordena o Departamento de Oração na AMTB. É casada com o pastor Paulo Andrade, tem três filhos e é avó.

#Bíblia #Textossagrados #Religião #Justiça #Ideologiadegênero #Escrituras #Família #Ética #Coaching #Intercessão

18 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo