• Editora Literal

Os novos rumos da pregação do Evangelho


Jairo de Oliveira


A vida acontece de forma dinâmica e, consequentemente, o mundo caminha em constante transformação. Na história humana, algumas transformações merecem um lugar de destaque. Uma delas é a que ocorreu a partir de meados do século 20 e que é conhecida como a Era Digital ou a Era da Informação. A revolução tecnológica que teve origem a partir do estabelecimento da Era Digital encurtou distâncias, gerou novos mecanismos de propagação do conhecimento e criou formas de comunicação baseadas na rede mundial de computadores.

A internet, com base no seu universo de informação, trouxe à existência uma enxurrada de oportunidades. A partir do seu surgimento, tornou-se possível desenvolver amizades em países jamais visitados, ler todo tipo de publicação em formato digital, frequentar cursos de graduação e pós-graduação em universidades ao redor do mundo e ler livros em uma língua desconhecida com a ajuda de um tradutor virtual. Essas oportunidades existem porque a Era Digital suscitou um cenário de integração mundial, possibilitando a comunicação, a interação, o compartilhamento e a divulgação de informações de forma ampla, veloz e eficiente.

Este panorama com infindáveis possibilidades precisa ser considerado pela Igreja em sua tarefa de proclamação do Evangelho ao mundo. Lembremos que Deus tem um plano de redenção global: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3.16) e que a Igreja é enviada por Cristo ao mundo para proclamar esta boa notícia: “Paz seja convosco! Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós” (João 20.21). Considerando que as transformações tecnológicas fazem parte do cotidiano das pessoas no mundo de hoje e que a Igreja possui uma missão de alcance global, como cristãos, devemos utilizar a tecnologia como nossa aliada na tarefa de pregação do Evangelho em todo o mundo, em testemunho a todas as nações.

O fato é que o desafio da comunicação do Evangelho ao mundo continua sendo gigantesco. Por isso também, o uso da tecnologia se faz tão necessário. Louann Hunt, gerente de tecnologia da organização cristã, Faith Comes By Hearing, comenta sobre o tamanho do desafio: “De acordo com a Wycliffe Global Alliance, mais de 97% das pessoas no mundo têm pelo menos uma parte da Bíblia em sua primeira língua, enquanto 180 milhões de pessoas ainda não têm acesso às Escrituras.” Louann é um homem engajado na evangelização mundial e tem feito uso intenso da tecnologia para responder aos desafios do nosso tempo. O aplicativo Bible.is, da organização que representa, disponibiliza as Escrituras Sagradas em mais de 1.500 idiomas, sendo a maior plataforma mundial de texto, áudio e vídeo da Bíblia disponível gratuitamente.

A utilização dos recursos mais avançados na propagação do Evangelho é um comportamento bastante apropriado. Historicamente, os servos de Deus comunicaram a sua mensagem utilizando as ferramentas do seu tempo. Muitos deles grafaram a revelação que receberam com pena e tinta de caligrafia, tornando, assim, a mensagem divina disponível à sua geração e às gerações futuras. Os autores do Novo Testamento, por exemplo, foram comunicadores tão bem-sucedidos que a mensagem deles teve um alcance muito além da própria localização geográfica e continua reverberando no mundo inteiro.

Um exemplo contemporâneo inspirador de alguém que foi muito bem-sucedido na comunicação do Evangelho por meio de instrumentos da Era Digital é o do evangelista Billy Graham. Em um artigo que trata do tema, Benjamin Phillips destaca: “O maior inovador na arte de pregar para aqueles que não estavam fisicamente presentes foi Billy Graham. Seu ministério aproveitou quase todos os desenvolvimentos significativos das comunicações do século 20: jornais, revistas, rádio, televisão, filmes e internet – a fim de lançar a semente do evangelho o mais amplamente possível.”

É muito importante compreendermos as enormes possibilidades que o uso da tecnologia nos proporciona, a fim de utilizarmos as ferramentas de comunicação apropriadas na proclamação do Evangelho. Uma vez que a tecnologia faz parte do cotidiano das pessoas, em um mundo em que os chips de telefones celulares já ultrapassaram a população mundial, a tecnologia deve ser nossa aliada em nossa tarefa de fazermos discípulos de todas as nações.

Embora o universo da tecnologia tenha as suas armadilhas, a utilização de ferramentas tecnológicas na divulgação do Evangelho tem produzido frutos importantes. Um exemplo encorajador vem da Igreja iraniana. Surpreendentemente, cristãos iranianos estão testemunhando um dos maiores movimentos de crescimento da Igreja em nossos dias. É curioso que no Irã não há liberdade religiosa, o que torna muito difícil a obtenção de Bíblias e literatura cristã em geral. No entanto, o Evangelho tem sido pregado ao povo por meio de ferramentas digitais, conforme Jeremy Reynalds comenta: “Não há livros cristãos ou literatura disponível no Irã. Os únicos recursos disponíveis para as pessoas que querem saber sobre o cristianismo são a Internet e a televisão por satélite”.

Um outro exemplo eloquente é o do pregador copta Zakaria Botros, um dos homens mais odiado do Oriente Médio. A Al Qaeda chegou a oferecer uma recompensa de 60 milhões de dólares por sua cabeça. A partir de um estilo apologético, ele utiliza a televisão e evangelismo na Internet para confrontar o Islã e alcançar o coração dos muçulmanos. Para se ter uma ideia, “de 2003 a 2010, sua ‘Life TV’ veiculada pelo portal de notícias da BBC árabe alcançou dezenas de milhões de muçulmanos a cada semana.”

No campo missionário, entre os povos menos alcançados e mais resistentes ao Evangelho, dentre várias estratégias, uma que tem se popularizado é a distribuição de telefones celulares contendo um cartão de memória com o texto da Bíblia na língua local. Em contextos de perseguição religiosa, o arquivo da Bíblia fica estrategicamente escondido e protegido por senha, de forma que somente o usuário consegue ter acesso ao texto.

Sabemos que nem tudo relacionado ao universo da tecnologia é positivo e não devemos lidar, principalmente, com as redes sociais de forma ingênua. Todavia, o uso da tecnologia pode ser muito importante nos novos rumos da atividade missionária, a fim de que tenhamos um alcance amplo, urgente e eficaz na tarefa da evangelização mundial até a vinda do Senhor. ▣


Jairo de Oliveira é membro da 2ª Igreja Batista da Taquara (Rio de Janeiro - RJ), pastor batista (Convenção Batista Brasileira) e atuou como missionário por doze anos no continente africano com a Missão para o Interior da África (MIAF) e doutorando em estudos interculturais pela Columbia International University (CIU). É um dos comentaristas da Bíblia Missionária de Estudo, publicada pela Sociedade Bíblica do Brasil (SBB) e autor de dez livros, dentre eles: De todos os povos (Prêmio Areté), publicado pela Editora Descoberta.


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